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Projeto A Poupança | Obesidade: Os perigos do excesso de gordura

Publicado em 14-01-2026 Atualizado em 15-01-2026
Imagem ilustrativa de informação do CIAC do Barreiro

A sociedade moderna transformou de forma radical a alimentação, impulsionada pela tecnologia, globalização e um ritmo de vida acelerado, resultando um maior acesso a alimentos processados e fast food, mas também em padronização cultural e problemas de saúde como a obesidade.

A produção em massa e o comércio global tornaram os alimentos uniformes disponíveis em todo o mundo. Todavia os transformaram em meras mercadorias, distanciando as pessoas da origem dos alimentos.

A alimentação tornou-se mais rápida e conveniente, com produtos ricos em sódio, açúcar e aditivos, o que gerou uma alimentação menos nutritiva e mais ligada à publicidade.

Smartphones e telas estão constantemente presentes nas refeições, alterando a socialização e a perceção do alimento. A publicidade digital é uma forte influenciadora nas escolhas.

Perde-se a ligação cultural e familiar com a comida. Cresce a busca por identidade e significado alimentar, com movimentos a valorizar o prazer de comer e a alimentação local.

O ritmo moderno e a dieta baseada em processados contribuem para problemas de saúde como a obesidade, apesar do avanço tecnológico e da maior oferta de alimentos.

Em suma, a sociedade moderna oferece abundância e variedade, mas ao custo de uma padronização e perda de significado cultural e de novos desafios de saúde, levando a um paradoxo entre a facilidade criada pela tecnologia e a necessidade humana de conexão com o alimento.

O Professor catedrático de Antropologia em Harvard, Andrew Oitke publicou o seu polémico livro “Mental Obesity” que revolucionou os campos da educação, do jornalismo e relações sociais na sua generalidade e, introduziu o conceito “obesidade mental” como forma de descrever o que considerava ser o problema da sociedade moderna.

Ver link aqui: https://acege.pt/a-obesidade-mental-andrew-oitke/

Segundo o autor, há apenas algumas décadas a Humanidade tomou consciência dos perigos dos excessos de gordura física por uma alimentação desregrada. Salientou ainda, que estamos na altura de notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a causar problemas tão ou mais sérios que esses.

Segundo o autor, a nossa sociedade está mais atulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares comuns que de hidratos de carbono. As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas.

Toda a gente tem opinião sobre tudo, mas não conhece nada.

Os “cozinheiros” desta Magna “fast food” intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema. Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.

O problema centraliza-se na família e na escola. Sobre isto, o autor alega que quaisquer pais responsáveis, sabem que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces. Afirma ainda não entender como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas.

Com uma “alimentação intelectual” tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção… é normal que esses jovens nunca consigam ter uma vida saudável e equilibrada.

Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado “Os Abutres”, afirma: “…o jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas reduzir, agredir e manipular.”

O texto descreve como os repórteres se desinteressaram da realidade fervilhante, para se concentrarem apenas no lado polémico e chocante.

“Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.”

Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura.

“O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assinado, mas não sabem quem foi Kennedy.
Todos dizem que a Capela Sistina tem teto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve.
Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê.
Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto.”

As conclusões do trabalho, que é um clássico, são arrasadoras:

“Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência.

A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizada, o folclore entrou em queda, a arte é fútil…paradoxal ou doentia.

Floresce a pornografia, o cabotismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo. Não se trata de uma decadência, uma “idade das trevas” ou o fim da civilização, como tantos apregoam.

É só uma questão de obesidade. O Homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos. O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos. O mundo precisa sobretudo de dieta mental.”

 

Observações: retirado do blog do CRE – Centro de Referência em Educação, do Professor João César das Neves, Economista, Professor Catedrático na Universidade Católica de Lisboa, Coordenador do Programa de Ética nos Negócios e Responsabilidade Social das Empresas. Ver link infra

Consulta da revista “Espacios”. Ver nos links: https://clsbe.lisboa.ucp.pt/pt-pt/pessoa/joao-cesar-das-neves e https://revistaespacios.com/a17v38n47/a17v38n47p05.pdf.

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