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Apresentação do livro Travessa do Cinema de Maria das Dores Nascimento

Atualizado em 23-03-2026
Apresentação do livro de Maria das Dores Nascimento, 11 abril 2026 na Biblioteca Municipal

11 abril | 16h00 | Biblioteca Municipal do Barreiro — Sala Multiusos

Ao ler “De Profundis, Valsa Lenta”, de José Cardoso Pires, Maria das Dores Nascimento comoveu-se com a narrativa do autor durante uma doença que quase lhe tirou a vida. Nesse momento, comprometeu-se consigo própria a escrever um livro caso alguma doença grave lhe batesse um dia à porta.
Em abril de 2009, à beira de completar 50 anos, foi-lhe diagnosticado cancro da mama e, em abril de 2010, publicou o seu primeiro livro, Inimigo do Peito, que conta nove meses da sua vida, como se fora a gestação de uma nova vida, com esperança para quem o lesse.
Em 2012, escreveu e publicou A História do Touro Azul, uma história infantil recolhida da tradição oral portuguesa, muitas vezes ouvida e contada. Em 2017, publicou o romance O Homem que tinha medo de que ninguém fosse ao seu funeral, cuja ação se desenrola no Barreiro. Em 2022, publicou Maria Celina, uma biografia de homenagem à sua mãe e também de denúncia à máscara com que o covid (en)cobriu o desprezo a que algumas instituições condenaram os mais velhos. Em 2025, publicou, pela LAU EDIÇÕES — que também reeditou as duas obras anteriores —, Travessa do Cinema, memórias da passagem pela vida dos seus vizinhos na década de 60 do século XX. Dedicou a autora este ao seu marido e companheiro de vida, José Augusto Gil do Nascimento, falecido em maio de 2025.
Desde a adolescência, dedica-se de alma e coração ao associativismo, principalmente na Academia Musical e Recreativa 8 de Janeiro, na promoção da Feira do Livro de Alhos Vedros, que contou em 2025 com a sua 52ª edição. Sob o logótipo da Academia e com ilustrações dos jovens ginastas da coletividade, escreveu Rosinha e a Manta de Retalhos, livro dirigido aos mais jovens.
Vive em Alhos Vedros, tem 66 anos, atualmente aposentada, trabalhou durante 40 anos na Autoridade Tributária, dos quais 34 no Serviço de Finanças do Barreiro, cidade onde estudou, foi mãe e onde viveu durante 17 anos. O livro “É como se Aureliano, o último dos Buendías, tivesse a oportunidade de ler Cem Anos de Solidão, vendo assim, através de olhos que não são seus, mas são seus progenitores, a história, ou as histórias, da casa, da rua, das pessoas de onde brotou. Talvez também por esse encontro, em várias últimas linhas encontrei lágrimas que não compreendi. Contrariando a norma, em que se termina em grande, em que se tenta espremer, nas últimas palavras, as últimas gotas do sumo poético, todas as últimas palavras deste livro são simples, cruas. Quase como se narradas, não pela mulher que lembra, mas pela criança lembrada. Não há qualquer embelezamento artificial, qualquer esforço na escrita. É assim. Era assim. E isso basta. A magia e a poesia estão no que o conteúdo mostra e no que o conteúdo esconde. Qualquer esforço adicional seria como puxar uma planta do solo com esperanças de acelerar o seu crescimento. Esta simplicidade, pelo contrário, permite o florescer natural deste tipo de relato em que se encontram a lágrima e o sorriso, o mais belo dos pares. Em que um qualquer significado, um qualquer propósito, uma qualquer beleza, por mais vaga e incompreensível que seja, se revela, da melancolia nascida e à melancolia estendendo a mão. (…) Desta beleza somos feitos, e dela será feito o porvir, onde seremos também nós memória e rasto. É bom que nos mantenhamos ligados a essa malha invisível que nos transcende, conectando-nos a tudo o que não vemos, no espaço e no tempo. Só isso nos salva de que a tragédia nos engula.” — Rafael Augusto, em “Prefácio”.
Público em geral
Gratuito
Org.: CMB e Autora

Data

11 Abril 2026

Horário

16h00

Organização

CMB e Autora
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