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Pescadores aplaudem requalificação da doca seca | “Há 40 anos que esperávamos por estas condições”

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2020/01/10

No âmbito da candidatura ao MAR 2020 para reabilitação da doca seca, cujas verbas são dedicadas exclusivamente à atividade piscatória, a CMB está a remodelar as instalações dos pescadores. Entre os trabalhos levados a cabo, destaque para a instalação de um cais de acostagem para 10 barcos, a aquisição de uma máquina de gelo, uma câmara frigorifica, reparação das rampas de acesso, remodelação das instalações sanitárias, substituição da rede elétrica, das áreas de trabalho e espaços para armazenagem individual dos aprestos. A intervenção vai contar ainda com a montagem de uma grua de 7 toneladas e a melhoria do espaço exterior, que assegure a ligação à Rua Miguel Pais, para que seja possível o acesso ao espaço pelos cidadãos.

Desde cedo que as gentes do Barreiro souberam tirar partido da riqueza natural que o Concelho possui para atividades marítimas. E ao contrário do que se possa pensar, a atividade piscatória está mais viva que nunca, no Barreiro, graças a uma nova comunidade de pescadores que já ultrapassam a meia centena e que todos os dias saem para a faina para colher do Tejo espécies que se outrora haviam desparecido por 20 anos, têm regressado em força nos últimos tempos.

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Rogério Correia, pescador de 60 anos, natural do Barreiro, nascido e criado na Rua Miguel Pais, é o último da geração de homens e mulheres da família, a estar ligado ao mar e a fazer dele a sua fonte de sustento. É com orgulho que diz “ser um privilegiado por poder fazer aquilo que mais gosta, pescar”. E é com redobrada satisfação que elogia a requalificação que tem avançado na doca seca. “Esta obra teve uma importância muito grande para toda a comunidade de pescadores. Há 40 anos que esperávamos por este momento e até que enfim que houve alguém que veio fazer esta obra importantíssima para os barreirenses, mas sobretudo para os pescadores, claro, visto que somos nós que vamos beneficiar dela”.

Entre as melhorias que não existiam, Rogério Correia sublinha o novo cais de acostagem e a grua. “Agora já podem atracar aqui 10 barcos, mas ainda é insuficiente. Ainda há muito para fazer. Esperamos que coloquem mais 3 ou 4 pontões para que mais pescadores possam usufruir. A colocação da grua também é muito importante. O meu barco, que pesa três toneladas e meia, está no estaleiro na Amora, porque não existem aqui condições para o levantar. Estou a pagar 150 euros por mês para o barco lá estar parado”, lamentou. “Há 40 anos que esperávamos por estas condições. Sempre reivindicámos esta necessidade junto dos antigos presidentes de Câmara, mas nunca fizeram nada. O atual executivo, seja qual for a cor, já conseguiu trazer obra em ano e meio, depois de ouvir as nossas pretensões”, elogiou.

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Da mesma opinião partilham os jovens pescadores barreirenses, Tiago Amorim de 37 anos e Ari Alexandre de 33. “Esta requalificação trouxe-nos condições de topo, nunca antes vistas a nível local, regional e distrital para o desenvolvimento da atividade piscatória. Há muito tempo que reivindicávamos esta obra e até hoje o que nos faltava era apoio político, que neste momento temos”, afirmou Tiago Amorim.
Inserido na comunidade piscatória barreirense, Tiago Amorim fala da força que a organização da comunidade tem ganho nos últimos tempos. Situação que elogia, “como barreirense, me enche de orgulho. Trabalhamos todos os dias para estarmos cada vez melhor e com mais condições. Agora sentimo-nos felizes e expetantes para continuar a trabalhar cada vez mais e isto não parar”.

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Já Ari Alexandre, enquanto mais novo elemento desta comunidade descreve as obras na doca seca como uma “etapa cumprida, de um conjunto vastos de sonhos”. Ari Alexandre que escolheu a pesca como atividade profissional lembra que este projeto lhes trouxe mais conforto e tirou-lhes um peso do corpo. “Andar com caixas de peixe às costas pelo lodo não dá saúde ao corpo”. Motivo pelo qual faz questão de defender as mesmas condições para todos, e sublinha o quanto ainda há por fazer.

Rogério Correia observa esta nova geração de homens do mar com prazer redobrado. “Só não posso dizer que me sinto um homem completamente realizado com esta obra, porque ainda há muito a fazer na doca seca. Sempre disse que não queria morrer sem ver os pescadores com condições para trabalhar. Se não fossem para mim, que fossem para os futuros pescadores. Eles trabalham, fazem as vendas em lota, fazem descontos, pagam os impostos, têm todo o direito de ter condições para trabalhar, em vez de andar com as caixas à cabeça como andávamos aí, no meio do lodo, sem sítio para pôr as redes nem atracar os barcos. Tivemos sempre dentro da lei e somos filhos do Barreiro”.

 

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