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“45 anos depois importa discutir e reformular o nosso sistema político”

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2019/05/03

Realizou-se no Mercado Municipal 1.º de Maio, no dia 27 de abril, a Sessão Solene Evocativa do 25 de Abril da Assembleia Municipal do Barreiro. André Pinotes Batista, Presidente da Assembleia Municipal do Barreiro começou por agradecer a presença de todos os eleitos da Assembleia Municipal, da Câmara Municipal e das Juntas de Freguesia do Concelho, juntamente com as dezenas de munícipes que quiseram assistir a esta cerimónia protagonizada pela “casa da democracia local”, que segundo elogiou, “acolhe a maior diversidade de opiniões, ideologias e de pessoas, enquanto órgão que tem a maior representação e a voz mais plural.”

Os 424 barreirenses que foram “perseguidos, espancados e viram as suas vidas devassadas pela PIDE” foram relembrados por André Pinotes Batista, que entre eles destacou o resistente antifascista Alfredo Monteiro, assim como as forças militares, da altura, que souberam interpretar a necessidade do país. “Um movimento militar libertador, que fez a transição para um regime democrático e entregou o poder a quem ele deve ser entregue, ao povo, para que este, através do voto pudesse escolher os seus representantes”, enalteceu.

O representante da Assembleia Municipal exortou os políticos “a refletir sobre a saúde do sistema democrático”, por considerar existir uma “diferença entre a perceção e a realidade”, onde “as pessoas se sentem cada vez menos representadas pelos órgãos”.
Um estudo recente revelou que 43% dos portugueses confia no Governo, 37% na Assembleia da República e já só 17% confia nos Partidos. Uma constatação sublinhada por André Pinotes Batista que acrescentou: “sobre isto é preciso dizer que a representação de mim próprio e de todos vós, eleitos, vale hoje menos do que valia no 25 de Abril. É nossa responsabilidade fazer algo sobre isso. Temos que discutir e reformular o nosso sistema político”.

Para André Pinotes Batista, “a liberdade que hoje celebramos só faz sentido se houver respeito. E para haver respeito, é preciso saber construir na diferença e saber onde começam e acabam as liberdades do outro. Neste aspeto, quer para os políticos como para o povo, existe uma diferença entre ser livre e fazer o que se quer. Os políticos devem ter a coragem de dizer não, e explicar olhos nos olhos o seu porquê. Quando olhamos olhos nos olhos a nossa população e lhes dizemos a verdade, a probabilidade de aceitarem aquela notícia menos boa é muito maior do que se os enganarmos. Este é um laço de confiança que não pode ser quebrado”, defendeu.
Para o líder da Assembleia Barreirense, “não existe liberdade sem igualdade e nós temos caminhado como sociedade para uma desigualdade crescente entre as pessoas mais pobres e mais ricas. Sobre isto, todos nós, democratas da direita à esquerda temos que ter o compromisso de combater as desigualdades a nível local e nacional”.

Frederico Rosa, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro (CMB), mostrou a sua preocupação em olhar para as novas gerações que “crescem sem uma ideia do que é o 25 de Abril, sem uma ideia concreta do que custou ter liberdade e pior, dar a democracia e a liberdade como um dado adquirido na nossa sociedade”. Segundo defendeu, “é preciso termos a consciência de que liberdade e democracia não são, de todo, um dado adquirido, assim como não o são o acesso à saúde, ao ensino e à habitação”, que nasceram graças à luta de todos aqueles que defenderam as suas convições no 25 de Abril.

O presidente da CMB relembrou um encontro que teve com um grupo alargado de jovens, a quem perguntou o que representava o 25 de abril, e onde curiosamente, a palavra mais mencionada na resposta foi união. “Aquilo que entendiam e que lhes vinha à cabeça quando se falava no 25 de Abril, era união. Não podiam estar mais corretos. União nos princípios básicos onde construirmos os nossos valores democráticos, união no caminho que fundamenta a democracia e sobre o qual podemos discutir as nossas diferentes correntes de opinião, união nos valores que nunca podemos abandonar se queremos ter uma democracia sã. Temos de ter cuidado para não fazermos um percurso perigoso onde caímos no populismo como forma de agradar e não como forma de construir”, disse.

“A nível nacional, mas sobretudo local, os discursos do 25 de Abril sempre me deixaram a sensação de que falamos de palavras muito sentidas, mas pouco consequentes. O nosso desafio é saber transportar as palavras sentidas que todos dizemos para uma consequência prática na nossa vida do dia a dia. E essa consequência prática trata desde logo de saber conviver com opiniões diferentes, de saber integrar e reconhecer a diferença, mas trabalhar para que o papel político seja reconhecido pelas pessoas”, concluiu.

Para assistir à Sessão Solene Evocativa na íntegra com as intervenções de todos os Partidos: https://www.youtube.com/watch?v=CajbdJkWGZ4

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