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“ANTOLOGIA”, DE PABLO NERUDA, É O “LIVRO DO MÊS” DE JULHO NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DO BARREIRO

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2008/07/04
A obra “Antologia”, de Pablo Neruda, editada por Relógio d’Água, é o “Livro do Mês” de Julho na Biblioteca Municipal do Barreiro.

Pablo Neruda (Parral, 12 de Julho de 1904 – Santiago, 23 de Setembro de 1973)
“Em 12 de Julho de 1904 nasceu, em Parral, no Sul do Chile, Neftalí Ricardo Reys Basoalto. Poeta chileno, um dos mais importantes poetas da língua castelhana do séc. XX e cônsul do Chile na Espanha (1934-1938) e no México. Recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1971.

“ANTOLOGIA”, DE PABLO NERUDA, É O “LIVRO DO MÊS” DE JULHO NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DO BARREIROEle conta-nos porque em 1920 adoptou o pseudónimo de Pablo Neruda: «Quando eu tinha catorze anos de idade, meu pai perseguia tenazmente a minha actividade literária. Não concordava com ter um filho poeta. Para encobrir a publicação dos meus primeiros versos procurei um apelido que o despistasse completamente. Encontrei numa revista esse nome checo, sem saber sequer que se tratava de um grande escritor, venerado por todo um povo, autor de baladas muito belas e de romances e com um monumento erguido no bairro Mala Strana de Praga. Mal cheguei à Checoslováquia, muitos anos depois, pus uma flor aos pés da sua estátua barbuda.»” (in Confieso que He Vivido).

A Vida e a Poesia como Torrente de Águas do Chile

“ANTOLOGIA”, DE PABLO NERUDA, É O “LIVRO DO MÊS” DE JULHO NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DO BARREIRO«A minha poesia e a minha vida decorreram como um rio americano, como uma torrente de águas do Chile, nascidas na profundidade secreta das montanhas austrais, dirigindo sem cessar o movimento das suas correntes para uma saída marinha. A minha poesia não repeliu nada do que pôde trazer no seu caudal; aceitou a paixão, explicou o mistério, e abriu passagem entre os corações do povo. Coube-me sofrer e lutar, amar e cantar; couberam-me, na partilha do mundo, o triunfo e a derrota, provei o gosto do pão e o do sangue. Que mais quer um poeta? E todas as alternativas, desde o pranto até aos beijos, desde a solidão até ao povo, vivem na minha poesia, actuam nela, porque eu tenho vivido para a minha poesia e a minha poesia tem sustentado as minhas lutas. E se muitos prémios alcancei, prémios fugazes como mariposas de pólen fugitivo, alcancei um prémio maior, um prémio que muitos desdenham mas que na realidade é para muitos inalcançável. Cheguei através de uma dura lição de estética e de procura, através dos labirintos da palavra escrita, a ser poeta do meu povo. O meu prémio é esse, não os livros e os poemas traduzidos ou os livros escritos para descrever ou dissecar as minhas palavras. O meu prémio é esse momento grave da minha vida quando na mina de carvão de Lota, sob o pleno Sol da salitreira abrasada, da cova escavada na falésia, subiu um homem como se tivesse subido do Inferno, com a cara transformada pelo trabalho terrível, com os olhos avermelhados pelo pó e, estendendo-me a mão endurecida, essa mão que leva o mapa da pampa nos seus calos e nas suas rugas, me disse com os olhos brilhantes: “já te conhecia há muito tempo, irmão”. Esses são os louros da minha poesia, esse buraco na pampa terrível, de onde sai um trabalhador a quem o vento e a noite e as estrelas do Chile disseram muitas vezes: “tu não estás sozinho; há um poeta que pensa no teu sofrimento.”» (Pablo Neruda, “Confieso que he vivido”)

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