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Exposição de Augusto Brázio "Vende-se"

2016/11/05 a 2017/01/29
Augusto brazio1 1 1024 2500

5 novembro 2016 – 29 janeiro 2017

Auditório Municipal Augusto Cabrita - Piso 0 | Galeria Azul

 

Entrada Livre

AUGUSTO BRÁZIO
VENDE-SE
O número de lojas fechadas que começou a desfilar à frente de Augusto Brázio (Brinches, 1964) impressionaram-no a um ponto que se tornou inevitável o registo. Há cerca de três anos, quando o trabalho para si escasseava, andar a pé tornou-se uma terapia. Esses percursos despertaram-no para uma sucessão de vitrinas tapadas, espaços transformados em abcessos urbanos.
A cada passo, a lente do fotógrafo foi-se colando aos vidros. As imagens de portas fechadas davam-lhe uma dimensão superficial de uma realidade muito mais complexa do que um cadeado à porta pode revelar. E, por isso, quis espreitar.
Aquilo que, no início, era um registo de reação emotiva foi dando lugar a uma cartografia orientada para vários objetivos: traçar percursos que revelassem a razia que tem atingido os pequenos negócios; mostrar o estado de abandono de edifícios e lojas; encontrar sinais da presença de quem por lá passou; procurar marcas do tempo e compreender a sua marcha.
As fotografias de “Vende-se” obrigam-nos a olhar para uma face da paisagem urbana cada vez mais comum, mas, paradoxalmente, pouco visível. É uma série hábil que transmite a carga emotiva, o desalento e a irracionalidade que se apoderam dos espaços comerciais fechados.
Estas imagens estão para além deste tempo. A realidade fixada em “Vende-se” mostra um fenómeno com raízes profundas. Augusto Brázio compreendeu isso e deu uma elasticidade ao seu trabalho capaz de o libertar das amarras da gritaria, dos slogans e de um tempo que tem sido fecundo em demagogias, visuais incluídas.
“Vende-se” coloca-nos um espelho à frente que nos obriga a olhar para as cicatrizes. O poder do que nele está inscrito estremece-nos e teve força de transformar a postura de um fotógrafo em relação ao que o rodeia, recentrando o seu olhar em direção ao núcleo, àquilo que está no osso.
Curador SÉRGIO B. GOMES

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