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“Living Among What’s Left Behind” – Masterclass e inauguração da Exposição de fotografia de Mário Cruz

2019/11/09 a 2020/02/29
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O Auditório Municipal Augusto Cabrita | Piso 0 – Galeria Azul vai ser palco, dia 9 de novembro, de uma Masterclass com Mário Cruz, às 15h00, no âmbito da inauguração da exposição de fotografia - "Living Among What’s Left Behind", que se realiza no mesmo dia pelas 17h00 e que vai estar patente até fevereiro de 2020. O fotojornalista português Mário Cruz ficou em terceiro lugar na categoria Ambiente, em imagem 'single', no World Press Photo 2019, com a fotografia de uma criança num colchão rodeado de lixo, a flutuar num rio filipino.

O coração de uma cidade tornou-se a sua vergonha. O rio Pasig, outrora o centro económico de Manila, é agora o reflexo de uma sociedade extremamente desigual, na qual 21,6% da população vive abaixo do limiar de pobreza, numa luta diária contra a poluição. Desesperados por trabalho, muitos filipinos viram em Manila a solução. Traídos pelos seus sonhos, muitos acabaram a viver em construções ilegais junto ao rio. O lixo doméstico e os constantes despejos industriais transformaram o rio Pasig num esgoto. Negligenciado durante demasiado tempo, o rio Pasig foi considerado biologicamente morto na década de 1990.

Hoje, construções frágeis feitas para acolher vidas frágeis não são mais do que madeira cravada em águas extremamente poluídas. Os esteiros, o último recurso para estas comunidades, foram idealizados para impedir as cheias, mas são casa para famílias inteiras. O rio Pasig transformou-se no trilho que nos transporta para as diferentes comunidades que são diretamente responsáveis pelo seu nível de poluição. Um sistema vicioso de poluição-alimento prende estas comunidades a lugares onde ninguém deveria habitar. O lixo atirado ao rio é o mesmo que permite que muitos o apanhem, vendam e comprem comida. Os recipientes dessa mesma comida são então atirados ao rio e o sistema continua.

O esteiro de Magdalena é um dos piores exemplos, onde centenas de estruturas empilhadas estão em risco de colapsar para um canal de água, onde não é possível ver-se água. Localizado perto do Centro Médico Metropolitano, um dos arranha-céus existentes naquela zona, o local é comparável a um cenário de desastre natural, mas é, na verdade, o resultado de décadas de luta por um teto improvisado. As construções criam uma espécie de túneis com vários acessos aos outros pisos, restos de madeira as passagens improvisadas entre casas e diferentes partes do estuário, e os materiais que formam estas construções são muitas vezes encontrados no rio. Pontes inseguras ligam as duas margens. É um local que todos querem evitar, mas que continua a proteger milhares de pessoas todos os dias.

Ao longo do rio é fácil encontrar pessoas que renegaram os esteiros, dormem em túneis criados pelas construções de pontes e de viadutos. Espaços com quatro metros quadrados, onde muitos conseguem apenas estar sentados ou deitados. No entanto, em 2017, o Banco Mundial colocou as Filipinas entre os três países com maior crescimento económico naquela região. Apenas o Vietname e a China conseguiram melhores resultados.

Por outro lado, de acordo com a WashWatch / OMS / UNICEF, em 2015, existiam 25 milhões de pessoas sem acesso a saneamento "pelo menos básico" nas Filipinas. Sem saneamento, a água que muitos percorrem está cheia de fezes, bactérias e ratazanas. A diarreia, o dengue e a leptospirose são comuns entre as comunidades. As futuras gerações estão ligadas ao mundo, mas fechadas entre barreiras invisíveis que começam e terminam nos limites dos diferentes estuários. É um exemplo do caminho perigoso que a humanidade percorre quando as necessidades básicas humanas e o meio ambiente são ignorados.

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