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400 anos da morte de D. Francisca de Azambuja, padroeira do Convento da Verderena

2021/01/22
Dona francisca de azambuja 400anos falecimento 63 1 1024 2500

A 22 de janeiro celebram-se os 400 anos do falecimento de Dona Francisca de Azambuja (1621), sepultada no Convento da Madre de Deus da Verderena em campa rasa, na qual consta a seguinte inscrição na sua pedra tumular:

ESTA SEPVLTVARA
HE DE DONA FRAM
CISQVA DAZAMBVIA
A QVAL MANDOV FA
ZER ESTE MOSTE
EIRO A SVA CVSTA E D
ELE HE PADROEIRA
PERPETVA MOREO A
22 DE IANEIRO DE
1621


Dona Francisca de Azambuja, possuidora de uma admirável fortuna, era neta de João Rodrigues de Azambuja, primeiro alcaide do Barreiro, aquando da elevação do Barreiro a vila, em 1521. Por morte de João Rodrigues, o cargo passou para o seu filho, o doutor Fernão Rodrigues de Azambuja, pai de Dona Francisca.
A ligação de Dona Francisca de Azambuja ao Convento da Madre de Deus da Verderena, iniciou-se com a morte do seu marido, o cavaleiro Álvaro Mendes de Vasconcelos, em Alcácer Quibir na companhia de D. Sebastião, em 1578. Deste casamento não houve descendência.
Segundo a Crónica contida no “Espelho de Penitentes e Crónica da Província de Santa Maria da Arrábida” de frei António da Piedade, o primeiro convento da Ordem Arrábida estava localizado em Palhais, onde os frades sofriam febres e maleitas, devido à péssima localização do Convento. Sabendo disto, duas senhoras do Barreiro, Luísa de Faria e Brites de Faria, doaram uma propriedade a dois quilómetros do Barreiro. No mesmo momento, interveio então Dona Francisca de Azambuja, propondo ela financiar a construção do Convento.
Dona Francisca de Azambuja foi-se desfazendo de algumas alfaias de sua casa, que lhe pareceram desnecessárias e dos rendimentos das suas fazendas foi patrocinando a construção do Convento, no qual gastou doze mil ducados.
A 18 de dezembro de 1591, dava-se solenemente início à construção do Convento da Madre de Deus da Verderena, suportado por Dona Francisca de Azambuja, como consta de uma lápide existente no local com a seguinte descrição:

ESTE MOSTEIRO DA MADRE DE DEUS DA PRO
VINCIA D’ARABIDA FVNDOV E FES A SVA
CVSTA DONA FRANCISCA D’AZAMBVIA NATV
RAL DA VILA DO BAREIRO MOLHER QVE FOI
DE ALVARO MENDES DE VASCONCELOS
QVE FICOV NA BATALHA DEL REI DOM
SEBASTIÃO DO QVAL HE PADROEIRA
PERPETVA E TOMOV ESTA CAPELLA
MOR PERA SVA SEPVLTVRA

Depois de ter custeado a construção do Convento e as suas dependências, de ter adornado a sacristia de tudo o que era necessário, Dona Francisca de Azambuja ofereceu um relicário em cruz de prata, da qual tinha muita estima, por nele estar um pedaço da Cruz de Jesus Cristo. Depois da conclusão do Convento, encomendou uma pintura, na qual se fez representar de joelhos no Altar colateral da Ressurreição, imagem da qual infelizmente não se conhece o destino.
Ao contrário do que muitos possam pensar, Dona Francisca não viveu, nem morreu no Convento da Verderena. Segundo José Augusto Pimenta (1886) e frei Agostinho de Santa Maria (1724), Dona Francisca de Azambuja morreu com 70 anos, no seu palácio no Barreiro (do qual não sobram vestígios) “na cama, entrevada e aleijada das mãos, mas conservando intactas as faculdades intelectuais”.
Pela sua morte e como “padroeira” do Convento, foi sepultada na capela do edifício. Mas, em testamento deixou claro que não deixaria de custear a manter o Convento e os frades. Para isso, Dona Francisca instituiu uma capela a fim de prover ao sustento dos monges arrábidos da Verderena. Dessa capela constavam várias propriedades, entre as quais o Casal do Pardo em Palmela, uma marinha no Lavradio, uma courela de pinhal no sítio do Vale da Amoreira (Alhos Vedros), um prazo de sete courelas de vinha nos Barreiros Pequenos (Barreiro) e o terreno onde ficava a Ermida de Santa Bárbara. Este prazo foi aforado por Álvaro Mendes de Vasconcelos, esposo de D. Francisca, no ano de 1578. Era foreira a Igreja de S. Lourenço de Alhos Vedros em 27 tostões, “por cinco aniversários pela alma de D. Iria e seus defuntos” (Carmona, 2005). Entre as obrigações da capela contavam-se a de dotar os monges da Verderena, em certas quantidades de peixe fresco ou seco, conforme a época do ano, carne, semanalmente um alqueire de pão, três cântaros de azeite cada ano, um porco de três arrobas para cima pelo Natal, um carneiro pela Páscoa, dois alqueires de pão e um pote de vinho em dia de comemoração dos defuntos.
Além da grande côngrua anual, assegurada pela instituição da capela, legou ao Convento muitos e preciosos objetos do seu uso, especialmente pertencentes à capela do seu palácio. Deixou aos seus criados, que eram numerosos, as casas em que habitavam e diversas pensões enquanto vivos, não excluindo os escravos, a todos os quais também deixou carta de alforria, ordenando ainda que se vestissem à sua custa do seu espólio grande número de pobres de ambos os sexos e se casassem algumas raparigas com faltas de meios (Pimenta, 1880)
A padroeira do Convento da Madre de Deus determinou, que a administração da capela permanecesse para sempre dentro da sua família e “chamou para primeiro administrador, o seu sobrinho o Doutor Fernando Roiz de Azambuja”. Em caso de extinção da linhagem Azambuja, sucederia a Misericórdia do Barreiro como administradora, o que veio a verificar-se em 1755.

Pelos técnicos da Divisão de Cultura e Património Cultural da CMB
António Camarão
Fernando da Motta
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