De acordo com Francisco Palma, este encontro foca a evolução e mutações que o domínio das artes travou até à actualidade.
Em relação ao tema do Encontro, o Presidente da Artesfera refere que: «Nas artes plásticas, o 25 de Abril galvanizou, desde o primeiro momento, uma enorme vontade dos artistas intervirem no espaço público, impulsionando-os para a criação em conjunto, assim como também abriu espaço para se reacender, no meio artístico, os debates sobre que caminhos para a arte em Portugal. (…)
(…) A revolução de Abril trouxe também transformações no estatuto dos artistas e dos críticos e no interesse para as artes no público em geral. O desejo dos artistas intervirem socialmente e aproximarem-se do público alargou-se, realçando o importante papel que as associações vieram a assumir. Referimos o papel da Sociedade Nacional de Belas Artes, a criação da “Associação Portuguesa de Artistas Plásticos” e do “Movimento Democrático dos Artistas Plásticos” e o surgimento de outras associações de arte e de artistas que se espalharam por todo o País.
Embora o inicio dos anos 80 seja identificado pelo regresso a um individualismo artístico, é também neste período que começa um movimento de descentralização, tanto de propostas estéticas como organizativas. Experimentam-se novas linguagens artísticas e novas formas de apropriação do espaço público, aproximando-se dos comportamentos, atitudes sociais e culturais das novas culturas urbanas. Mais tarde, ganhou relevo o papel dos mediadores, centrado na figura do programador cultural, surgem projectos artísticos em forma de festival, bienais, conferências, residências artísticas e eventos multimédia. Criam-se novos espaços de legitimação e reconhecimento artístico com projectos de centros de arte e de curadoria local, muitos destes projectos só foram possíveis com o envolvimento das autarquias locais.».